Remédio para ansiedade pode ser usado para sempre? O que muda entre ISRS e benzodiazepínico. JULIO PEREIRA NEUROCIRURGIÃO

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Os medicamentos para ansiedade podem, sim, ser usados de forma crônica ou prolongada, mas isso depende da classe do fármaco e da indicação clínica. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS, como sertralina, escitalopram e fluoxetina) e os inibidores da recaptação de serotonina e norepinefrina (IRSN, como venlafaxina e duloxetina) são considerados de primeira linha para transtornos de ansiedade (generalizada, pânico, fobia social). Eles não causam dependência física, podem ser mantidos por meses ou anos sob acompanhamento e ajudam a prevenir recaídas quando o tratamento é eficaz.

Já os benzodiazepínicos (como clonazepam, alprazolam e diazepam) têm início de ação rápido e são úteis em crises agudas ou como ponte enquanto um antidepressivo começa a fazer efeito. No entanto, não são recomendados para uso contínuo prolongado. O uso regular por mais de algumas semanas aumenta o risco de tolerância, dependência, prejuízo cognitivo, sonolência e, em idosos, quedas. A interrupção abrupta pode provocar síndrome de abstinência, por isso qualquer desmame deve ser gradual e supervisionado por médico.

Outras opções com baixo potencial de dependência incluem a buspirona (que pode ser usada de forma contínua), pregabalina (em alguns países para ansiedade generalizada) e, em situações específicas, betabloqueadores para ansiedade situacional. O ideal é que o tratamento medicamentoso seja individualizado, combinado com psicoterapia (especialmente terapia cognitivo-comportamental) e reavaliado periodicamente. A duração mínima recomendada após controle dos sintomas costuma ser de 6 a 12 meses, ou mais, dependendo da história de recaídas.

O uso crônico de qualquer medicamento para ansiedade exige acompanhamento médico regular para avaliar eficácia, efeitos colaterais e a necessidade de manutenção ou desmame. Automedicação ou interrupção por conta própria pode piorar o quadro ou gerar complicações. Em muitos casos, com o tratamento adequado (medicamentoso e não medicamentoso), é possível reduzir a dose ou suspender a medicação com segurança, mas essa decisão deve ser sempre feita em conjunto com o profissional de saúde.