?? Verdade Sobre Polilaminina: Fase 1 Não Prova Eficácia em Humanos com Lesão Medular. DR Júlio Pereira Neurocirurgião

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A polilaminina, desenvolvida por pesquisadores da UFRJ, gera grande expectativa como tratamento para lesão medular, mas a verdade é dura: o estudo atual em fase 1, autorizado pela Anvisa em janeiro de 2026, avalia apenas segurança em cinco pacientes, sem nenhum teste de eficácia terapêutica. Promessas de regeneração axonal baseiam-se em modelos animais (ratos, 2010) e um piloto não randomizado com oito humanos (pré-print 2024), onde recuperações parciais podem ser confundidas por fisioterapia ou evolução natural (~15% espontânea).

Fase 1 ? comprovação. Este estágio inicial mede tolerância e dosagem segura, não se a substância funciona. Dos oito pacientes do piloto, dois faleceram por complicações da lesão grave (não atribuídas à polilaminina), e os sobreviventes mostraram ganhos motores variáveis – de movimentos mínimos a passos auxiliados – mas sem grupo controle para isolar o efeito real da droga. Pré-prints não são revisados por pares; faltam ensaios fase II/III randomizados, padrão-ouro da ciência médica.

Riscos do hype são reais. Judicialização para acesso compassivo pressiona o SUS, expondo pacientes vulneráveis a intervenções experimentais sem validação, como os três óbitos recentes em testes (sem causalidade direta confirmada, mas em contexto de alta mortalidade basal ~40%). Euforia midiática ignora que lesões medulares crônicas (>72h) respondem diferente das agudas testadas, e zero replicação internacional existe até 2026.

Ciência exige paciência. Polilaminina pode evoluir, mas hoje não há prova em humanos. Neurocirurgiões devem priorizar reabilitação padrão, suporte multiprofissional e ensaios regulados. Falsas esperanças atrasam aprovações legítimas e comprometem famílias. Aguarde fase III; torcida não cura medula.