A presença da “Gripe K” (variante do H3N2 subclado K) no Brasil acende um alerta significativo para o sistema de saúde em 2026, principalmente devido ao seu padrão de transmissão observado no Hemisfério Norte. O principal risco para o aumento de internações e óbitos reside na antecipação da temporada de gripe. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) já sinalizou que a circulação do vírus pode ocorrer mais cedo do que o habitual, o que pegaria a população com a imunidade em baixa antes da campanha de vacinação de outono/inverno, historicamente realizada em abril.
Os grupos mais vulneráveis a complicações graves — que levam à hospitalização e ao óbito — continuam sendo os idosos, crianças pequenas e imunossuprimidos. No entanto, o cenário de risco no Brasil é agravado pelo histórico recente de baixas coberturas vacinais. Se a adesão à vacina de 2026 for baixa, como ocorreu em anos anteriores, o vírus encontrará uma barreira imunológica frágil, facilitando a disseminação rápida e a ocorrência de casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que podem superlotar UTIs e enfermarias.
Um dado importante para mitigar esse risco é a atualização da vacina. A Anvisa e o Ministério da Saúde já definiram a composição das vacinas para 2026, que incluirão cepas atualizadas (como a A/Singapore ou A/Sydney) especificamente para combater as variantes em circulação, incluindo a linhagem que engloba a “Gripe K”. Estudos preliminares indicam que, embora a variante seja altamente transmissível, as vacinas atualizadas mantêm boa eficácia na prevenção de desfechos fatais e casos críticos, desde que a população se imunize a tempo.
Portanto, embora não haja projeções matemáticas fechadas de “milhares de mortes” inevitáveis, o risco é real e depende diretamente da resposta pública. O Ministério da Saúde já confirmou casos esporádicos do subclado no país desde o final de 2025, o que exige vigilância constante. O sucesso em evitar uma crise sanitária com altos números de óbitos dependerá da rapidez no diagnóstico diferencial (para distinguir de Covid-19 e outros vírus) e, crucialmente, da adesão massiva à campanha de vacinação assim que as doses estiverem disponíveis.