O Linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático, uma parte vital do sistema imunológico que ajuda o corpo a combater infecções e doenças. Diferente de outros linfomas, ele é caracterizado pela presença de um tipo celular específico e anormal chamado célula de Reed-Sternberg. A doença possui uma distribuição etária curiosa, com dois picos de incidência: é mais comum em adultos jovens (entre 15 e 35 anos) e volta a ter maior frequência em pessoas acima dos 55 anos. Embora a causa exata seja desconhecida, fatores como infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr (mononucleose) e histórico familiar podem aumentar ligeiramente o risco.
Sintomas e Sinais de Alerta
O sinal mais comum é o aumento indolor dos linfonodos (ínguas) no pescoço, axilas ou virilha. Diferente de infecções comuns onde as ínguas doem, no linfoma elas tendem a ser rígidas e indolores. Além disso, o paciente pode apresentar o que os médicos chamam de “Sintomas B”, que indicam uma doença sistêmica e podem influenciar o prognóstico: febre persistente sem infecção aparente, suores noturnos intensos (a ponto de molhar a roupa de cama) e perda de peso inexplicável (mais de 10% do peso corporal em 6 meses). Coceira intensa na pele e fadiga extrema também são queixas frequentes.
Tratamento e Curabilidade
Felizmente, o Linfoma de Hodgkin é considerado um dos cânceres mais curáveis da atualidade. O tratamento evoluiu drasticamente nas últimas décadas e geralmente envolve quimioterapia, radioterapia ou, em casos mais resistentes, imunoterapia e transplante de medula óssea. A abordagem é adaptada ao estágio da doença; em estágios iniciais, o foco é curar com o mínimo de toxicidade possível a longo prazo. Mesmo em estágios avançados, a resposta ao tratamento costuma ser excelente, diferenciando-o de muitos outros tumores sólidos ou hematológicos mais agressivos.
Risco de Morte e Prognóstico
Sobre o risco de morte, o cenário é otimista para a grande maioria dos pacientes, mas exige seriedade. A taxa de sobrevida em 5 anos para pacientes diagnosticados precocemente supera os 90%. No entanto, o risco de óbito aumenta se a doença for diagnosticada tardiamente (estágio IV com comprometimento de órgãos fora do sistema linfático), em pacientes idosos com outras comorbidades ou naqueles que não respondem aos tratamentos iniciais (doença refratária). Hoje, o maior risco para sobreviventes a longo prazo muitas vezes não é o linfoma em si, mas os efeitos colaterais tardios do tratamento (como problemas cardíacos ou segundos tumores), o que torna o acompanhamento médico vitalício fundamental.