No Brasil, a presença da chamada “Gripe K” foi oficializada em meados de dezembro de 2025, com a confirmação de quatro casos iniciais pelo Ministério da Saúde. As infecções foram identificadas nos estados do Pará e de Mato Grosso do Sul, indicando que a variante já circula no território nacional. O caso do Pará foi classificado como importado (trazido de viagem ao exterior), enquanto os registros no Centro-Oeste acenderam o alerta para a vigilância de uma possível transmissão interna mais ampla fora da temporada tradicional de inverno.
Apesar da confirmação, as autoridades sanitárias brasileiras, incluindo o Ministério da Saúde e especialistas da Fiocruz, têm adotado um tom de cautela sem pânico. A posição oficial é de que, embora a variante K (subclado do H3N2) apresente alta transmissibilidade — como visto na Europa e EUA —, não há evidências de que ela seja mais letal ou cause sintomas mais graves que as outras gripes já circulantes no país. O foco principal é o monitoramento intensivo para evitar que a variante antecipe ou agrave a temporada de doenças respiratórias de 2026.
Um ponto de atenção crucial é o comportamento atípico da sazonalidade. Enquanto o Sul e Sudeste do Brasil geralmente enfrentam o pico de gripe no inverno (meio do ano), as regiões Norte e Nordeste possuem uma dinâmica diferente, muitas vezes alinhada com o “inverno amazônico” ou o final do ano. O surgimento da variante K em dezembro coincide com um aumento de síndromes respiratórias nessas regiões mais ao norte, exigindo uma resposta rápida para conter surtos locais que poderiam se espalhar para o resto do país conforme a mobilidade das festas de fim de ano aumenta.
Diante deste cenário, a principal recomendação para os brasileiros continua sendo a vacinação. Embora a vacina da gripe disponível atualmente no SUS tenha sido formulada antes da ascensão global desta variante específica, estudos indicam que ela ainda oferece proteção cruzada essencial, especialmente contra hospitalizações e óbitos. O Ministério da Saúde reforça que grupos de risco (idosos, crianças e imunossuprimidos) devem estar com o calendário vacinal em dia e manter medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras em locais fechados caso apresentem sintomas gripais.